segunda-feira, 26 de maio de 2008

Blindness

Onde não há nomes. Onde a grandiosidade dos personagens existe pelas atitudes, lá onde enxergamos a essência da razão humana, se é que a mesma deveria ser qualificada desta forma, sobretudo já que somos nós quem assim a chamamos: outrora fosse outra espécie que questionasse sua significância. Humanidade, o animalismo a acompanha.

Ser anti-humano. Tão simples como apertar o gatilho ou virar o pescoço ao ver uma família esfomeada é ser instinto. Instinto não vê, nem ao menos enxerga. Instinto cheira, lambe, morde e engole, melhor se rumina. O polegar opositor e o cérebro altamente desenvolvido possibilitaram a construção de muitas coisas, vivas ou mortas. Essas, cercarmo-nos de ilusões. As elucubrações nos fazem esquecer, ou ainda não lembrar que sem comida, água para beber e limpar, nem ao menos ao mérito de conviver com os cães e gatos, que se sentiriam por demais evoluídos ou ainda civilizados para nos ter como companhia. Sem visão então, a cara contra o muro! O personagem cão-humano desta vez é o cão das lágrimas: quase Baleia, Achado e Manoel.


Por que costumamos fofocar, intrigar ou destacar os defeitos alheios? Pela cegueira interna. Essa também inclui a paquera com o babaca, os cumprimentos acalorados para poucos, e a mania de transferir aos demais nossos traços inconscientemente irritantes. Oro, peço, canto e grito. Costumo clamar pelas pessoas amigas: desejo crescer. Meu comportamento continuamente em evolução de forma que cada vez com mais clareza aquilo que no primeiro parágrafo foi caracterizado por razão e agora receberá como palavra designadora espírito. Enfim, que desenvolva com percepção em longo prazo, ainda que míope.


Falávamos do livro: Ensaio sobre a cegueira de Jose Saramago rendeu um maravilhoso romance e um filme cuja minha expectativa é ótima, o que contraria as críticas do mundo virtual, já que para o real me faço de cega e surda também. Foi dirigido por Fernando Meirelles e abriu o Festival de Cannes. A foto acima é dele, nome: Blindness

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Fome

Cozinhar é definitivamente uma terapia. Dormi tarde depois de mais uma das inúmeras noites em que eu e amigas decidimos sair com a esperança de que não estamos em uma cidade do interior onde nada de lucrativo irá acontecer e o resultado sempre será apenas a ressaca. Independentemente da ressaca, prometi, no feriado municipal, strogonoff.

Iniciei picando o filé e o começo foi o responsável pela melancolia que acompanhou o cardápio. Alguém que decidiu que o filé era a carne mais barata depois de uma longa viagem sobre custos e benefícios do mesmo: a nostalgia tem nome, sempre. Houve quem acreditasse que muito alho caracterizaria menos a maciez da carne naquele instante, mas o sangue escorreu. Tentei picar a cebola. Piorou. Lágrimas vieram com a intensidade que só as cebolas mais novinhas sentem ao perceber que nem sempre a “morte os separe” e também tão longas quanto às das menos jovens ao perceber o quão eterno é o amor, e incondicional também: separação.

Entram nesta fase o pimentão e o tomate, tomates não verdes picados, que darão à fritura a possibilidade de cozer, que alívio! Decido trocar o cd. Incluo mais alguns ingredientes e vem a etapa da prova. Lembranças de provas passadas, a colher de pau, molhos e sopas quentes a queimar as mãos e lábios, lábios que tantas vezes nos mataram a sede, da água, do desejo, da paixão, da loucura causada pela ausência do corpo alheio ao qual tantas vezes desejamos ser nosso, único, uno.

Nesta altura lembro-me da seleta de legumes, picados, do cogumelo o qual só entende o tempo dos fungos, aquele que proporciona a quase ausência de odor, sabor e cor (leia-se dor), mas traz uma lembrança tão grande do período de esporulação e adaptação que se transformam na intensidade da memória genética a qual transforma o sabor do prato de forma estonteante. A brancura dos mesmos trouxe, como que num processo de osmose, a urgência do creme de leite e mais ainda da consistência do catupiry.

Os olhos embebidos e o sal percebido pela língua desejaram queimar. Foi com conhaque que a chama se fez, e à mesa se serviram todos os sentimentos dos últimos nove anos. Alguns ingredientes foram esquecidos ou apenas não descritos.

Eu vejo que aprendi
O quanto te ensinei
E nos teus braços que ele vai saber
Não há por que voltar
Não penso em te seguir
Não quero mais a tua insensatez
O que fazes sem pensar aprendeste do olhar
E das palavras que guardei prá ti
Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso
Vale mais o coração
Já que não me entendes, não me julgues
Não me tentes
O que sabes fazer agora
Veio tudo de nossas horas
Eu não minto, eu não sou assim
Ninguém sabia e ninguém viu
Que eu estava a teu lado então
Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor
Alguma coisa aconteceu
Do ventre nasce um novo coração

terça-feira, 18 de março de 2008

A rima, a Rosa

Ouvindo a canção “A Rosa” de Chico, lembrei-me de uma característica própria dele que é escrever sem utilizar de rimas, ricas ou pobres, e trabalhar com o ritmo das palavras na construção das músicas. Falando em “Construção”, talvez esta seja a composição mais adequada para exemplificar a qualidade a qual estou me referindo. Nela, o poeta rima a dor cotidiana do proletário, representado pelo operário de obra que decide se matar, com a insignificância do memso no apressado mundo veloz, representado pelo tráfico.

O tema não é a única forma de rima aplicada à poesia, observa-se também que todas as palavras da referida são proparoxítonas, ou seja, sua sílaba tônica é a antepenúltima e a mesma é acentuada. Assim, a canção não possui as rimas da música sertanoja como exemplo os verbos que têm a mesma conjugação cantar, amar, chorar, ou ainda substantivos com a mesma terminação como paixão, coração, emoção; e sim palavras com terminações e classes gramaticais distintas, mas com entonações que permitem uma rima rítmica magnânima, digna da genialidade de alguns compositores da música brasileira. Observe:
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Voltando à rima, à rosa. Para mim a poesia e a música são de fundamental importância à manutenção do equilíbrio emocional e a felicidade, propriamente dita. É nelas que encontro refúgio quando desejo fugir do stress e competitividade mundanos, também é nelas que encontro a força motriz para continuar na busca pelo conhecimento e equilíbrio. E neste blog descrevo alguns desses devaneios. A significância da rima, é que a mesma lembra poesia, mesmo não sendo uma obrigatoriedade da outra e a da Rosa é trazer a beleza e o perfume à vida.
A Rosa, neste texto, significa o símbolo dos sentimentos que ambos, o texto poético e a musicalidade trazem ao cotidiano. Mesmo que nem sempre realidade, ambos nos motivam, nos animam. A canção que me inspirou a escrita hoje foi A Rosa, mulher que, assim como a poesia, arrasa os projetos de vida, mas sem ela não os haveria. Não se esqueçam de observar a rima, a rima, e a delícia dos trocadilhos entre os adjetivos.

Arrasa!
O meu projeto de vida
Querida!
Estrela do meu caminho
Espinho!
Cravado em minha garganta
Garganta!
A santa!
Às vezes troca meu nome
E some!
E some!
Nas altas da madrugada...

Coitada!
Trabalha de plantonista
Artista!
É doida pela portela
Ói ela!
Ói ela!
Vestida de verde e rosa
A Rosa!
A Rosa!
Garante que é sempre minha...
Quietinha!
Saiu prá comprar cigarro
Que sarro!
Trouxe umas coisas do norte
Que sorte!
Que sorte!
Voltou toda sorridente...

Demente!
Inventa cada carícia
Egípcia!
Me encontra e me vira a cara
Odara!
Gravou meu nome na blusa
Abusa!
E acusa!
Revista os bolsos da calça...

A falsa!
Limpou a minha carteira
Maneira!
Pagou a nossa despesa
Beleza!
Na hora do bom me deixa
Se queixa!
A gueixa!
Que coisa mais amorosa
A Rosa!
A Rosa!
E o meu projeto de vida
Bandida!
Cadê minha estrela-guia?
Vadia!
Me esquece na noite escura
Mas jura!
E jura!
Que um dia volta prá casa...

Arrasa!
O meu projeto de vida
Querida!
Estrêla do meu caminho
Espinho!
Cravado em minha garganta
Garganta!
A santa!
Às vezes me chama Alberto
Alberto!
De certo!
Sonhou com alguma novela
Penélope!
Espera por mim bordando
Suando!
Ficou de cama com febre
Que febre!
A lebre!
Como é que ela é tão fogosa...

A Rosa!
A Rosa!
Jurou seu amor eterno
Meu terno!
Ficou na tinturaria
Um dia!
Me trouxe uma roupa justa
Me gusta!
Me gusta!
Cismou de dançar o tango...

Meu rango!
Sumiu lá da geladeira
Caseira!
Seu molho é uma maravilha
Que filha!
Visita a família em sampa
Às pampa!
Às pampa!
Voltou toda descascada...

A fada!
Acaba com a minha lira
A gira!
Esgota a minha laringe
Esfinge!
Devora a minha pessoa
À tôa!
À tôa!
Que coisa mais amorosa
A Rosa!
A Rosa!
E o meu projeto de vida
Bandida!
Cadê minha estrela guia?
Vadia!
Me esquece na noite escura
Mas jura!
Me jura!
Que um dia volta prá casa...

Arrasa!
O meu projeto de vida
Querida!
Estrêla do meu caminho
Espinho!
Cravado em minha garganta
Garganta!
A santa!
Às vezes troca meu nome
E some!
E some!
Nas altas da madrugada...

domingo, 2 de março de 2008

Quando a ignorância é a felicidade, é loucura ser sábio?

Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança - Chico Buarque

Tantas vezes me questionei a respeito da busca pelo conhecimento como autoflagelo e agora escrevo essas linhas a respeito deste tão complexo tema a título de registro de opiniões e não como crítica, enquanto proposta desta oficina. Hoje foi um dos dias em que acordei com um desejo de viver sem me notar, aflita por ser e ter consciência do eu por mim mesma. Esta aflição acompanha a todos que lutam pelo saber, sobretudo aos que anseiam o autoconhecimento, embora todas as buscas tragam sentimentos indesejáveis como surpresa, medo, desilusão, frustração entre outros. Para evitar essas conseqüências a maioria de nós opta pela alienação.

Em uma palestra descobri que a depressão é identificada por passos. Sempre que ultrapasso a segunda etapa, procuro esquecer dos filósofos e assistir às novelas e ao Faustão, além de conversar mais com pessoas e respeitar melhor a multiplicidade cultural da sociedade. Durante estes períodos, percebo o quão mais feliz que eu a maioria das pessoas é. Trabalhar demais, dormir demais, agenda lotada. Todos evitam estar sozinhos por um tempo maior que o reservado à higiene pessoal e necessidades biológicas e este é o segredo da felicidade!

O complicado é que depois de um determinado período é impossível se enganar e “passar uma borracha” nas leituras apreendidas. É complicado não sentir-se livre depois de ter experimento a liberdade e a dor que a mesma traz: a da responsabilidade. A ignorância é a justificativa do perdão e a ciência nos leva à culpa e à cobrança. São sentimentos bem descritos por Fernando Pessoa no excerto abaixo:

Lembro-me de quando era criança e via, como hoje não posso ver. A manhã raiar sobre a cidade, ela não raiava para mim, mas para a vida. Porque então eu, não sendo consciente, Eu era a vida. E via a manhã e tinha alegria. Hoje vejo a manhã, tenho alegria e fico triste. Eu vejo como via, mas por trás dos meus olhos, vejo-me vendo. E só com isso, se obscurece o sol, o verde das árvores é velho e as flores murcham antes de aparecidas... (F. Pessoa)

A análise do tema não me levará à local nenhum, são apenas elucubrações publicadas neste blog, uma forma de dividir minhas dúvidas com alguém que me compreenda, mesmo que seja meu próprio ID, desde que totalmente afastado do superego. Estas publicações me têm trazido a sensação de magnitude que sempre senti ao imaginar o diálogo entre Cae e Gil na canção “Ele me deu um beijo na boca”, na qual os polêmicos assuntos religião e política são citados. Pena que o beijo não é possibilitado pela escrita.
Ele me deu um beijo na boca e me disse
A vida é oca como a toca
De um bebê sem cabeça
E eu ri a beça
E ele: como uma toca de raposa bêbada
E eu disse: chega da sua conversa
De poça sem fundo
Eu sei que o mundo
É um fluxo sem leito
E e só no oco do seu peito
Que corre um rio
Mas ele concordou que a vida é boa
Embora seja apenas a coroa:
A cara é o vazio
E ele riu e riu e ria
E eu disse: Basta de filosofia
A mim me bastava que o prefeito desse um jeito
Na cidade da Bahia
Esse feito afetaria toda a gente da terra
E nós veríamos nascer uma paz quente
Os filhos da guerra fria
Seria um anticidente
Como uma rima
Desativando a trama daquela profecia
Que o vicente me contou
Segundo a Astronomia
Que em Novembro do ano que inicia
Sete astros se alinharão em escorpião
Como só no dia da bomba de Hiroshima
E ele me olhou
De cima e disse assim pra mim
Delfim, Margareth Tatcher, Menahem Begin
Política é o fim
E a crítica que não toque na poesia
O Time Magazine quer dizer que os Rolling Stones
Já não cabem no mundo do Time Magazine
Mas eu digo (Ele disse)
Que o que já não cabe é o Time Magazine
No mundo dos Rollings Stones Forever Rockin´And Rolling
Por que forjar desprezo pelo vivos
E fomentar desejos reativos
Apaches, Punks, Existencialistas, Hippies, Beatniks
De todos os Tempos Univos
E eu disse sim, mas sim, mas não nem isso
Apenas alguns santos, se tantos, nos seus cantos
E sozinhos
Mas ele me falou: Você tá triste
Porque a tua dama te abandona
E você não resiste,
Quando ela surge
Ela vem e instaura o seu cosmético caótico
Você começa olhar com olho gótico
De cristão legítimo
Mas eu sou preto, meu nego
Eu sei que isso não nega e até ativa
O velho ritmo mulato
E o leão ruge
O fato é que há um istmo
Entre meus Deus
E seus Deuses
Eu sou do clã do Djavan
Você é fã do Donato
E não nos interessa a tripe cristã
De Dilan Zimerman
E ele ainda diria mais
Mas a canção tem que acabar
E eu respondi:
O Deus que você sente é o deus dos santos:
A superfície iridescente da bola oca,
Meus deuses são cabeças de bebês sem touca
Era um momento sem medo e sem desejo
Ele me deu um beijo na boca
E eu correspondi àquele beijo.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Homenagem ao político

Assim como sentimos saudade de Sarney e até diria da ditadura pela censura política, há de se admitir a falta da malandragem carioca. Hoje é comum CPI, é Comissão de tudo, cartão, ambulância, silicone, só falta mesmo a minha CPU interpretar e entendê-las já que todas para mim significam pizza.

Em tempos de nova malandragem, há a lei a qual exige o analfabetismo para os cargos eletivos de presidentes, diretores, secretários e superintendentes. Na verdade, como toda brasileira, desconheço a legislação em vigor, mas cito a proposta lei, devido à recordação de várias justificativas a respeito da não leitura de documentos nos quais constavam as assinaturas, ou melhor, os polegares de políticos corruptos.

Desta moderna fase, Primavera não se safa: temos vice-prefeito que se declara contrário ao prefeito assumindo o cargo por trinta dias e fazendo festa na imprensa, sendo que nos bastidores sabemos que ele nem recebe as pessoas pois alega que decisões serão tomadas somente após a volta do coronel.

Leitores, perdoem o rápido desabafo. Fiquem com o Chico e sua Homenagem ao Malandro..... de 1978, sendo a mesma muito atual.

Eu fui fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem, que conheço de outros carnavais.
Eu fui à Lapa e perdi a viagem,
que aquela tal malandragem não existe mais.
Agora já não é normal, o que dá de malandro
regular profissional, malandro com o aparato de malandro oficial,
malandro candidato a malandro federal,
malandro com retrato na coluna social;
malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal.
Mas o malandro para valer, não espalha,
aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal.
Dizem as más línguas que ele até trabalha,
Mora lá longe chacoalha, no trem da central



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Goffman a respeito da confusão: iludimo-nos de modo a iludir melhor os outros

A surpresa é a reação ao acontecimento inesperado. Manifesta-se a partir de impulsos nervosos com manifestações químicas (com a liberação de adrenalina) e físicas, aumentando o rítimo cardíaco e impusionando a pessoa ter fazer alguma reação corporal, normalmente lágrimas, muitas lágrimas. É, na real, um prazer inesperado, imprevisto, o qual eu obtive graças ao carinho de amigas que me surpreenderam com um bolo e flores.

Para saber o verdadeiro significado da surpresa, pesquisei o significado de outras duas palavras: Dissimulação - Disfarce; fingimento; camuflagem. Ilusão - Engano dos sentidos ou da inteligência; errada interpretação de um fato; tapeação.

Podemos notar literalmente que a responsável pelos efeitos da ilusão é a dissimulação. Desta forma, não há ilusão sem a dissimulação, o que torna uma, produto da outra. Não havendo a possibilidade de utilização da dissimulação para outros fins que não o da ilusão e a surpresa, temos que a surpresa se dá com a união da dissimulação e da ilusão. Ps: isso é raciocínio matemático!!!!!!!!!!!!!!

Descobre-se, pesquisando na net, que o fator surpresa é de conhecimento da sábia natureza. Alguns vaga-lumes fêmeas do gênero Photuris imitam o piscar próprio das fêmeas do gênero Photinus no cio e, em seguida, tendo atraído um macho Photinus, devoram-no. Algumas orquídeas se assemelham bastante a vespas fêmeas, para melhor atrair as vespas machos que então dispersam involuntariamente seu pólen. Algumas cobras inofensivas desenvolveram a coloração de cobras venenosas, ganhando imerecido respeito. Algumas crisálidas de borboletas têm extraordinária semelhança com a cabeça de uma cobra – escamas falsas, olhos falsos – e, se importunadas, começam a chocalhar ameaçadoramente. Em suma: os organismos podem se apresentar assemelhando-se à forma que seja do seu interesse. Quando bem-sucedida, a dissimulação impele o inimigo a desviar a sua atenção da força atacante, ou retarda a sua resposta o tempo suficiente para se obter a surpresa no momento vital.

Como seres integrantes da natureza, nós humanos, também usamos a ilusão e auto-ilusão. Utilizamos estes artifícios para finalidade de guerras, melhoria de auto-estima e até sociais e afetivos. A "consciência" é uma região com fronteiras mal definidas e porosas. Muitas vezes acreditamos que alguém esteja consciente de uma informação relevante sobre uma situação, mas na prática, percebemos surpresas da referida com os resultados da informação. Podemos deduzir que a informação está em alguma parte da mente, bloqueada por censor, que a pessoa esqueceu de registrar a informação e, caso tenha esquecido ainda podemos nos questionar se essa percepção seletiva em si resulta de um desenho evolutivo específico para produzir a auto-ilusão.

Aproveitar essa vulnerabilidade da mente humana produz a surpresa. Quando temos esta finalidade, usamos fatos que queremos como ilusão criando uma imagem exata da realidade ou cenário que pintamos para a pessoa a ser surpreendida. Nisto minha amiga Adriana é expert, pois criou uma imagem desde o início da semana precedente ao meu aniversário e me convenceu a esquecer de todas as demais possibilidades. Prometendo-me apresentar um amigo, conseguiu desviar minha atenção ao fato já conhecido por mim de que elas, as minhas amigas, iriam certamente me surpreender com o bolo e o desejo de felicidades. Obrigada queridas!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Terra de quem?

Na segunda, 18/02/08, houve o anúncio pelos EUA, ou melhor, pela ONU de reconhecimento da independência de Kosovo. Assistindo ao jornal nacional, lembrei-me do meu terceirão e da professora Eliane tentando nos fazer compreender o que estava ocorrendo por lá e pelo resto do mundo. Acredito que ela era contra os movimentos separatistas mas não me recordo da mesma emitindo opiniões a respeito, lembro-me apenas do seu cartesianismo.

O presidente da Sérvia alega que o precedente aberto pela ONU deixa de assegurar aos países garantia de soberania e território, e ordenou a retirada de suas embaixadas dos países que votaram a favor da independência kosovar no Conselho de Segurança da ONU (vale lembrar que o Brasil não participa do mesmo, embora tenha se esforçado muito para tal).

A mulher mais poderosa do mundo, Condoleezza Rice, parabenizou os albaneses pela soberania. As quase 2.000.000 de pessoas desta etnia estavam sob administração internacional desde o ataque da OTAN para acabar com a repressão de Slobodan Milosevic em 1999. Os sérvios ficaram tristes por considerar este território o berço de sua pátria e tentaram reintegrar a Iugoslávia a todo custo no período pós Muro de Berlim. Este pensamento é apoiado por países que possuem movimentos separatistas e que votaram contra o reconhecimento do Estado de Kosovo, como a Espanha e China.

Será que o Brasil acompanharia os países citados, caso tivesse seu assento no Conselho? O movimento separatista nacional possui algum grau de periculosidade? História tem. No século XVIII, o indígena Sepé Tiaraju declarou que a aquela terra tinha dono durante as missões jesuíticas. Já no século XIX houve a Revolução Farroupilha, comemorada até hoje nos CTGs e que inspirou outras revoluções no Brasil.

Costurando todas as informações, é importante destacar que a maioria das atrocidades ocorreu pelo sentimento de superioridade racial (acobertada pela religião) e o bom senso nos leva a perceber que o movimento separatista do sul do Brasil é provido deste sentimento e deve ser banido, juntamente com os skinheads e klu klux klan. Conforme minha percepção, devemos buscar a integração e as riquezas oriundas da multiplicidade cultural. Para quem quer saber um pouco mais sobre o movimento de integração e as guerras civis separatistas da região, indico o filme Terra de Ninguém, no qual um soldado bósnio e outro sérvio ficam ilhados em uma trincheira, local em que se dá a tragicomédia.
Branquinha – Caetano Veloso

Eu sou apenas um velho baiano
Um fulano, um caetano, um mano qualquer
Vou contra a via, canto contra a melodia
Nado contra a maré
Que é que tu vê, que é que tu quer,
Tu que é tão rainha?
Branquinha
Carioca de luz própria, luz
Só minha
Quando todos os seus rosas nus
Todinha
Carnação da canção que compus
Quem conduz
Vem, seduz
Este mulato franzino, menino
Destino de nunca ser homem, não
Este macaco complexo
Este sexo equívoco
Este mico-leão
Namorando a lua e repetindo:
A lua é minha
Branquinha
Pororoquinha, guerreiro é
Rainha
De janeiro, do Rio, do onde é
Sozinha
Mão no leme, pé no furacão
Meu irmão
Neste mundo vão
Mão no leme, pé no carnaval
Meu igual
Neste mundo mau

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Fundamentos das fundações e universidades públicas

Dentre os escândalos de uso de cartões de crédito do Governo Federal o mais óbvio foi o que envolveu a UnB (Universidade Nacional de Brasília). Meu espanto foi em ler as declarações nas quais a própria instituição alega não ter encontrado irregularidades na auditoria feita, assim como não há nada demais na lixeira do reitor custar quase R$ 1.000,00 (mil reais). Até imaginei uma possível defesa: - “Possuo pensamento acadêmico, do qual se abrolha minha consciência da função social da universidade pública e a importância do saber ecológico da separação e conservação adequada do lixo”.

A respeito das fundações, o senso comum já possui adjetivo correto: corruptas. Esta adjetivação se encaixa em diversos casos, como exemplo cita-se a antiga Fundação Estadual do Meio Ambiente FEMA/MT e suas operações da polícia federal que desencadearam a CPI da Assembléia Legislativa. São as fundações de apoio ao ensino superior que têm, sob o pretexto de incentivar a pesquisa, se tornado administradoras e representantes dos interesses da iniciativa privada no “cérebro” das universidades federais.

O resultado desta “invasão” é, na maioria das vezes a perda de autonomia das instituições e comprometimento da liberdade acadêmica, visto que os interesses privados estão “in” reitorias, além dos tantos casos de corrupção apontados pelo TCU. Essas fundações, como é o caso da UNISELVA, vinculada à UFMT, utilizam de mecanismos das universidades como a não prestação de contas e a ausência de licitações, e acabam “privatizando” o ensino quando da cobrança de taxas administrativas. Vale também destacar que, embora as mesmas tenham fins não lucrativos, a maioria obtém lucros exorbitantes que se destinam aos professores envolvidos nos convênios e também ao bolso dos administradores das mesmas.

Lastimo que o Estado não cumpra seu papel em oferecer a todos o ensino público de qualidade e esta insuficiência é bem observada com a dificuldade imposta nos vestibulares classificatórios, que sempre oferecem um número insuficiente de vagas. Em Primavera do Leste não há universidade pública. Há um convênio entre o executivo municipal, que na gestão anterior julgou ser benéfico à população não permitir que seus filhos deixassem o município em busca de uma faculdade. Esta atitude não foi bem quista à nova gestão e os convênios foram encerrados como já tratado nesta Oficina.

O que importa é que tenhamos consciência do que está ocorrendo em nosso país e que possamos cobrar que o Estado assuma seu papel de forma legal e coerente. Apelo a todos os líderes estudantis e aos centros acadêmicos que se imponham mais e não sirvam de massa de manipulação como serviram os estudantes da USP no início de 2007. Neste período, o governador José Serra criou decretos e realizou alterações legais que levariam a instituição a uma obrigatoriedade maior nos processos financeiros, um deles exigindo a prestação diária de contas. A questão está no entendimento da Constituição, que em seu artigo 207, determina a autonomia universitária, estabelecendo que as universidades brasileiras têm o direito de decidir, por si próprias, como irão trabalhar. Seja no âmbito didático-científico, seja sobre questões administrativas e de gestão financeira e patrimonial. Este direito não é superior a obrigação que a universidade tem em cumprir suas funções dentro da sociedade: o desenvolvimento pessoal de seus integrantes, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho, conforme dita o artigo 205 da Constituição. A autonomia universitária é uma forma de garantir que estes objetivos sejam cumpridos sem a interferência de outros interesses que não tenham relação com eles. Daí inclusive a importância da autonomia de gestão financeira e patrimonial, e não só da didático-científica – não há livre pensar se as decisões administrativas forem tomadas fora da universidade, por isso os centros acadêmicos deveriam exigir mais decretos como aqueles de Serra e menos fundações como a UNISELVA. Mesmo que não possamos mudar o sistema, devemos conhecê-lo melhor e lutar sempre por sua melhoria.


A imagem acima é da famosa lixeira, patrimônio público. O site abaixo é da Fundação Uniselva, vincuada à UFMT.


http://www.fundacaouniselva.org.br/nova/index_1024.asp

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Caminhos Cruzados

“Se eu demorar uns meses, convém às vezes você sofrer, mas depois de um ano eu não vindo, põe a roupa de domingo e pode me esquecer”. Chico Buarque.
Estava buscando informação na página de um site assim como se busca compreender o comportamento humano vendo Big Brother. Puro comportamento de “alemoa” teimosa, que já sabe que nada encontrará. Chega até ser burrice! Bom, buscando informação encontrei um link “Você já esqueceu seu ex?”
Impossível não pensar sobre o assunto, ainda mais para mim que tive um primeiro amor, daqueles de cinema, inocente, intenso, nada platônico (real), puro e infinito (ao menos enquanto durou). É sobre ele e o segundo amor, aquele que quase ninguém fala e que eu ainda não conheço, que este texto tratará.

O término de uma relação é mais ou menos como o falecimento de alguém principalmente quando se amou, já que o amor não se finda. A presença material da pessoa é retirada bruscamente de nossas vidas e o ser humano nunca conseguiu lidar com o nunca mais, o que torna difícil separa-se de pessoas, assim como do cigarro. È nesse momento que a pessoa se esforça, emagrece, muda de hábitos, toma fluoxetina, sofre, sente dores e se acalma. Acalmam-se uns com um novo amor, outros com muitos e alguns sozinhos.

Se fossemos buscar o equilíbrio tão almejado, das três opções a mais adequada seria um novo amor. Nem o sentimento de “Socorro eu não estou sentindo nada”, nem a vingança de Olhos nos olhos de Chico. Como acredito que o ideal seja não esquecer o antigo amor, afinal ele é parte de sua história, desaconselho quaisquer das alternativas anteriores. Se amar e preparar o caminho para a solidão ou para um novo relacionamento, de forma que ambas as possibilidades trarão felicidade. É complexo, mas possível estar aberto ao novo amor sem ignorar a felicidade advinda do anterior. Não esquecer os erros e sim, evitá-los a todo custo. Conviver com a lembrança desacompanhada de culpa, de vingança, de rancor, de raiva e esperar que outra pessoa, preferencialmente alguém que também convive com essa lembrança, cruze seu caminho ou não.
O vídeo mostra Caetano cantando Caminhos Cruzados de Tom Jobim no show do disco Noites do Norte Ao Vivo (o qual eu recomendo)

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Beleza e guerra

Foi jogando “War” na varanda de casa que, após uma conquista árdua de territórios, um amigo disse ao ver o belo resultado de seus dados: Beautiful! Neste momento minha cabeça fez aquele habitual zummmmmmmmmm e um fervilhão de conceitos, imagens e idéias ficaram me rondando. Beleza na Guerra? Por incrível que pareça há muitos que a vêem. Cheguei à conclusão de que essa dualidade é comum na história da humanidade.

Lembrei primeiramente de Alexandre, O Grande (aproximadamente 330 A.C.) que na verdade foi pequeno em estatura. O lendário conquistador teve influências espirituais e culturais gregas advindas de sua mãe, adoradora de Dionísio. No aspecto filosófico, sua base provém de Aristóteles, seu preceptor. No âmbito militar a herança veio de seu pai, Felipe II, que lutou contra Atenas e Tebas. Essa mistura toda gerou o maior e mais rico império da antiguidade até Roma, já que o mesmo se estendia dos Balcãs à Índia, incluindo também o Egito e a Báctria (aproximadamente o atual Afeganistão). A dualidade proposta a ser analisada se encontra na capacidade de que Alexander tinha de criar uma síntese entre o oriente e ocidente (encorajando a união com os persas), de respeitar os derrotados (permitiu a manutenção de governos, religião, língua e costumes) e de admirar as ciências e as artes (fundou Alexandria, maior centro cultural, científico e econômico da Antigüidade); e ao mesmo tempo ser instável e sanguinário (as destruições das cidades de Tebas e Persepólis, o assassinato de Parménion, o seu melhor general, a sua ligação com um eunuco), limitando-se a usar o pessoal de valor que tinha à sua volta em proveito próprio.

Adiantando-me bastante no tempo, destaco uma das frases de Patoon que alegava ser medíocre qualquer empreendimento humano se comparado à guerra. A contradição entre a devoção religiosa do citado militar e o sentimento de amor confesso pelo sangue e destruição é a mesma existente entre a beleza e a guerra. Para esclarecer, George Smith Patton, nascido em 1885 nos EUA e falecido e, 1945 na Alemanha, foi o general do 3º exército dos Estados Unidos na 2ª Guerra Mundial. Sujeito excêntrico, amado e odiado, conseguiu ser a imagem do herói americano dedicado à pátria e à família e ao mesmo tempo ter hábitos tão extravagantes que chocam até hoje à opinião pública. Usava palavras de baixo calão, escrevia poesias e acreditava em reencarnação de forma que havia participado de guerras como Tróia, lutado nas legiões de Roma e exércitos de Napoleão.

Desta forma, todas as análises de guerras nos levaram à dualidade. Inclusive a ligação entre intelectualidade e o jogo de xadrez, ou ainda à diplomacia e o planejamento estratégico. Podemos ainda analisar a guerra dos sexos antagônica ao amor heterossexual e a guerra fria exaltando-se seu aspecto sociológico. O bem e o mal, o Yin e Yang, o tudo e o nada. Os idealizadores da energia nuclear não intencionavam a bomba atômica, meu blog foi possível devido ao projeto militar da internet, meu café aquecido no microondas, a influência de Sun Tzu na arte da administração. Até os deuses gostam da guerra: Ogum, Oxóssi e Iansã são guerreiros e há uma passagem bíblica que relata que deus parou o Sol para que uma batalha pudesse ser vencida. A guerra é integrante do ser humano e possivelmente bela, ou ao menos seus resultados acabam por ser.
Filmes de Guerra, Canções de Amor
Engenheiros do Hawaii
Composição: Humberto Gessinger

os dias parecem séculos
quando a gente anda em círculos
seguindo ideais ridículos
de querer, lutar & poder

as roupas na lavanderia...
o analista passeando na Europa...
as encomendas na Bolívia...
nas fotos um sorriso idiota

os dias parecem séculos
e se parecem uns com os outros
como enfermeiras em filmes de guerra
e violinos em canções de amor

a seguir cenas obcenas
do próximo capítulo
é só virar a página
e o futuro virá...

filmes de guerra, canções de amor
manchetes de jornal, ou seja lá o que for
há sempre uma estória infeliz
esperando uma atriz e um ator

há vida na terra, há rumores no ar
dizendo que tudo vai acabar
(mais uma estória infeliz
esperando um ator e uma atriz)

não tenho medo de perder a guerra
pois no fim da guerra todos perdem
no fim das contas as nações unidas
'tão sempre prontas pra desunião

não tenho medo de perder você
desde o início eu sabia
era só questão de dias
um dia iria acontecer

preciso beber qualquer coisa
não me lembre que eu não bebo
o que só nós dois sabemos
nós sabemos que é segredo

há um guarda em cada esquina
esperando o sinal
pra transformar um banho de piscina
numa batalha naval

agora sinto um medo infantil
mas na hora certa afundaremos o navio
então dê um copo de aguardente
para um corpo sentindo frio

preciso beber qualquer coisa
você sabe que eu preciso
e o que só nós dois sabemos
já não é mais segredo

se alguém, seja lá quem for
tiver que morrer, na guerra ou no amor,
não me peça pra entender
não me peça pra esquecer

não me peça para entender
não me peça pra escolher
entre o fio ciumento da navalha
e o frio de um campo de batalha

chegamos ao fim do dia
chegamos, quem diria?
ninguém é bastante lúcido
pra andar tão rápido

chegamos ao fim do século
voltamos enfim ao início
quando se anda em círculos
nunca se é bastante rápido